Vídeo produzido por Malungo e Leonardo Chaves, mostra lances da poesia alternativa pernambucana, registros de fotos, livros e cartazes com textos de Francisco Espinhara e Bráulio Brilhante, além de poemas do livro de Malungo,"O terceiro olho usa lente de contato" numa estética de video clip.
Fragmentos de poemas de um Livro leve que virá com "Águas e anoitecimentos" de Edmir Carvalho Bezerra
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
V Prêmio Literário Canon de Poesia 2012
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| (Reprodução/Internet) |
O concurso cultural denominado V Prêmio Literário Canon de Poesia 2012 é promovido pela Canon do Brasil Ind. e Com. Ltda, pessoa jurídica estabelecida na Cidade de São Paulo, inscrita no CNPJ sob o nº 046.266.771/0001-26, pela Fábrica de Livros, selo editorial do Grupo Editorial Scortecci, para autores brasileiros, maiores de 16 anos, residentes no Brasil.
Tem por objetivo descobrir novos talentos, promover a literatura e difundir a impressão digital de livros no Brasil. Este concurso é exclusivamente de cunho cultural, sem qualquer modalidade de sorte ou pagamento pelos concorrentes, estando aberto à participação de todos que assim o desejarem, sendo promovido pela empresa de acordo com a Lei n. 5768/71 e Decreto 70.951/72.
REGULAMENTO
Ao fazer a inscrição, o Autor estará concordando com as regras do concurso, inclusive autorizando a publicação da obra em antologia e responderá por plágio, cópia indevida e demais crimes previstos na Lei do Direito Autoral.
O Autor poderá participar com apenas 1 (uma) POESIA, inédita, não publicada em livro (papel, eletrônico ou qualquer outro suporte), blog, site, facebook ou qualquer outra mídia existe, de no máximo cinco mil caracteres. Os trabalhos deverão estar em língua portuguesa, o que não impede o uso de termos estrangeiros no texto.
O tema é livre e a inscrição grátis.
A POESIA deverá ter obrigatoriamente um título. Não há necessidade de pseudônimo (nome literário).
Inscrições de 13 de agosto de 2012 a 30 de novembro de 2012, somente pela Internet através do site Concursos e Prêmios Literários.
Inscrições
A parceria Canon do Brasil e Grupo Editorial Scortecci escolherão uma Comissão Julgadora composta de três membros de renomado prestígio literário e uma Comissão Organizadora que resolverá os casos omissos deste regulamento, se houver.
PRÊMIO:
Publicação da obra em antologia do V Prêmio Literário Canon de Poesia 2012, selo editorial Fábrica de Livros/Scortecci, reunindo por ordem alfabética, 50 (cinquenta) POESIAS e seus AUTORES (minibiografia), conforme seleção e escolha irrevogável da Comissão Julgadora.
Características da obra: 1500 (mil e quinhentos) exemplares, formato 14 x 20,7 cm, com aproximadamente 100 páginas, ISBN e Ficha Catalográfica.
A obra NÃO será comercializada e sua venda proibida.
Os 50 (cinquenta) participantes escolhidos com as melhores POESIAS receberão como prêmio e a título de Direito Autoral, 10 (dez) exemplares da obra, além da divulgação e promoção da poesia pela Canon do Brasil pelo período de um ano em ações de Marketing e Propaganda.
Os livros de direito dos Autores Vencedores serão entregues no dia do lançamento da Antologia. Os que não puderem comparecer ao evento receberão seus livros pelo correio pela Canon do Brasil.
CRONOGRAMA:
- Inscrições: até 30 de novembro de 2012.
- Período de seleção: dezembro 2012 e janeiro 2013.
- Resultado: Fevereiro de 2013.
- Edição e Impressão da obra: março de 2013.
- Lançamento: Abril de 2013.
MAIS INFORMAÇÕES:
Inscrições somente pela internet através do link.
E-mail: premiocanon2012@concursosliterarios.com.br
Telefone: (11) 3032.1179.
Anos 70: a poesia era marginal
O modo rústico e artesanal foi uma característica marcante no surgimento da poesia marginal. Para se expressar livremente em épocas de ditadura os poetas buscaram caminhos alternativos para distribuir poesia e revelar novas expressões poéticas.
Surgido nos anos 70, a poesia marginal foi um movimento cultural onde os poetas Ana Cristina César, Paulo Leminski, Ricardo Carvalho Duarte (Chacal), Francisco Alvim e Cacaso se destacaram nesta época. As poesias ganhavam corpo e eram distribuídas de forma inusitada, diferentes dos padrões convencionais de publicações, eram livretos artesanais mimeografados e grampeados, ou apenas dobrados.
OS POETAS MARGINAIS
A poetisa Ana Cristina César escrevia seus poemas e redigia para jornais, ela teve um fim trágico, suicidou-se aos 31 anos, em 1981. O poeta Antônio Carlos Ferreira de Brito (Cacaso) nasceu em Uberaba (MG), no dia 13 de março de 1944. Antes dos 20 anos desperta para poesia, através de letras de sambas que colocava em músicas de amigos como Elton Medeiros e Maurício Tapajós. Seu primeiro livro, "A palavra cerzida", foi lançado em 1967. Em 27 de dezembro de 1987, Cacaso morre vítima de parada cardíaca, aos 43 anos. Paulo Leminski Filho nasceu em Curitiba, em 24 de agosto de 1944, foi um escritor, poeta, crítico literário, tradutor e professor brasileiro, faleceu em 1989.
A poesia marginal foi um movimento desprovido de características padronizadas, era uma libertação dos termos e expressão livre constratando com uma época conturbada, a repressão política nos fins da década de 60. A poesia ganhou as ruas, praças e bares como alternativa de divulgação, longe do foco da censura. Nada escapava, tudo era considerado como suporte para expressar a arte de poetizar, fosse em folheto, camiseta, xerox, apresentações em calçadas.
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| (Reprodução/Internet) |
Acreditei que se amasse de novo
esqueceria outros
pelo menos três ou quatro rostos que amei
Num delírio de arquivística
organizei a memória em alfabetos
como quem conta carneiros e amansa
no entanto flanco aberto não esqueço
e amo em ti os outros rostos
(em Contagem regressiva - Inéditos e Dispersos)
ANTONIO CARLOS FERREIRA DE BRITO
Descartes
Não há
no mundo nada
mais bem
distribuído do que a
razão: até quem não tem tem
um pouquinho
Fatalidade
A mulher madura viceja
nos seios de treze anos de certa menina morena.
Amantes fidelíssimos se matarão em duelo
crepúsculos desfilarão em posição de sentido
o sol será destronado e durante séculos violas plangentes
farão assembléias de emergência.
Tudo isso já vejo nuns seios arrebitados
de primeira comunhão.
PAULO LEMINSKI FILHO
I
Confira
tudo que
respira
conspira
II
Tudo é vago e muito vário
meu destino não tem siso,
o que eu quero não tem preço
ter um preço é necessário,
e nada disso é preciso
III
Cinco bares,
dez conhaques
atravesso são paulo
dormindo dentro de um táxi
IV
isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além
V
O pauloleminski
é um cachorro louco
que deve ser morto
a pau a pedra
a fogo a pique
senão é bem capaz
o filhodaputa
de fazer chover
em nosso piquenique
26 de outubro é o prazo final para inscrições do Prêmio de Poesia Damário Dacruz
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| Créditos: Divulgação (Reprodução/Internet) |
As inscrições estão abertas até o dia 26 de outubro, e poderão ser feitas na sede da Fundação Pedro Calmon ou no Ponto de Leitura Pouso da Palavra, durante a Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica) que começa hoje (17/10).
COMO FAZER - Para participar o candidato deve apresentar o poema em três vias iguais, dentro de envelope lacrado, e acompanhado de ficha de inscrição preenchida, currículo, comprovante de residência. É preciso também anexar uma declaração de autoria e ineditismo. Coautoria não é permitida no regulamento da premiação.
PREMIAÇÃO - Serão escolhidos apenas três melhores poemas. O primeiro lugar ganhará R$ 3 mil, o segundo R$ 2 mil, e o terceiro R$ 1 mil. Os poemas selecionados, cerca de 37 inscritos, vão ser publicados em um livro, ainda sem título no momento.
Faleceu em 6 de outubro um dos ícones da poesia peruana: Antonio Cisneros
Uma notícia que me deixou triste e só agora tomo conhecimento, foi a grande perda para o mundo poético da figura tão querida do peruano Antonio Cisneiros. Ele faleceu aos 69 anos, em um sábado (06 de outubro) vitimado por um câncer pulmonar que vinha lhe torturando já um bom tempo.
Antonio Cisneiros, além de poeta, foi jornalista, roteirista e professor. Ele foi uma figura importantíssima da "geração do 60" da literatura peruana e chegou a ser condecorado com o Prêmio Ibero-Americano de Poesia Pablo Neruda 2010, a mais alta distinção concedida pelo governo chileno a um poeta da região.
POEMA PARA HACER EL AMOR
Antonio Cisneiros
Para hacer el amor debe evitarse un sol muy fuerte
sobre los ojos de la muchacha, tampoco es buena la sombra
si el lomo del amante se achicharra
para hacer el amor.
Los pastos húmedos son mejores que los pastos amarillos
pero la arena gruesa es mejor todavía.
Ni junto a las colinas porque el suelo es rocoso
ni cerca de las aguas.
Poco reino es la cama para este buen amor.
Limpios los cuerpos han de ser como una gran pradera:
que ningún valle o monte quede oculto y los amantes
podrán holgarse en todos sus caminos.
La oscuridad no guarda el buen amor.
El cielo debe ser azul y amable,
limpio y redondo como un techo
y entonces la muchacha no verá el dedo de Dios.
Los cuerpos discretos pero nunca en reposo,
los pulmones abiertos,las frases cortas.
Es difícil hacer el amor pero se aprende.
(De Agua que no has de beber).
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Rio Capibaribe
Hoje vi o rio,
não o de Janeiro,
o de todos os meses do ano:
o Rio Capibaribe.
Todo dia vejo o rio,
até onde a vista alcança
do Cais José Mariano, Aurora,
até a ponte de Limoeiro.
Hoje, porém, foi diferente,
diferente de todos os dias,
das maneiras de olhar rio.
As águas, em sua maré cheia,
parecia menos poluídas
(acho que foi ilusão).
As marolas estavam mais intensas
acho que foi a presença
do Catamarã que há pouco passou.
O verde do manguezal
está mais intenso
(como obra de arte
de um paisagista).
Talvez seja isso,
é... talvez seja isso
achar o rio, hoje,
mais bonito.
Jacytan Melo, Recife, 16/02/2009
sexta-feira, 13 de abril de 2012
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Histórias de Trabalho
HISTÓRIAS DE TRABALHO:
Tendo como temática central o trabalho, escritores, poetas, fotógrafos e artistas ligados às histórias em quadrinhos ou cartuns poderão optar por seis categorias. O concurso é gratuito e contempla trabalhos de fotógrafos, artistas, escritores e trabalhadores de todo o país.
Inscrições: entre 2 de abril e 11 de maio de 2012.
Edital e inscrições: http://www2.portoalegre.rs.gov.br/smc/default.php?p_secao=58
Informações: http://coordenacaodolivro.blogspot.com.br/
Poemas no ônibus e no trem
POEMAS NO ÔNIBUS E NO TREM
Cada participante poderá inscrever um poema inédito, com até 14 versos. As inscrições são gratuitas e os poemas selecionados farão parte de uma publicação e serão exibidos nas janelas dos ônibus e trens de Porto Alegre (RS).
Inscrições: entre 2 de abril e 18 de maio de 2012.
Edital e inscrições: http://www2.portoalegre.rs.gov.br/smc/default.php?p_secao=53
Informações: http://coordenacaodolivro.blogspot.com.br/
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Jacytan Melo Produções_Agenciados_2012
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Maltrato do Recife
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| Foto: Zé Afonso Stock |
Estão querendo acabar contigo
[meu Recife
Não te respeitam como antes
(apesar de idade avançada)
te vejo suja, mal cheirosa,
em todo canto que passo
te vejo nua,
com uma avenida disforme
rasgando teu ventre.
Prédios sujos, mal acabados,
abandonados, assombroso,
assombrados,
completam o auto-retrato
de tua feiúra.
Mudaste muito,
não é mais aquela cidade
chamada bela Recife
cantada em versos e prosas,
até os cinemas não existem mais.
Andas inchada,
abarrotada de tantos carros
poluída, esquecida, mal vestida.
Tenho pena de ti
[meu Recife
tenho pena de ti.
Jacytan Melo
Recife, 8/dezembro/2009
Imagem
Minha imagem,
presa nos labirintos
da existência humana,
luta para seguir rumo natural,
buscando uma saída.
Tempo passa depressa
sem dar tempo
de recompor fragmentos.
Hoje, só sombras passeiam
pelos corredores do imaginário.
Jacytan Melo
Recife, Novembro/2009
presa nos labirintos
da existência humana,
luta para seguir rumo natural,
buscando uma saída.
Tempo passa depressa
sem dar tempo
de recompor fragmentos.
Hoje, só sombras passeiam
pelos corredores do imaginário.
Jacytan Melo
Recife, Novembro/2009
domingo, 20 de novembro de 2011
De Cara com a Poesia: Extra! extra! De Cara nº 57! Baixe aqui!
De Cara com a Poesia: Extra! extra! De Cara nº 57! Baixe aqui!: Olá amigos do DE CARA COM A POESIA! Já está disponível para donwload a mais nova edição do DE CARA. Neste número, muitas nov...
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Hilda Tempo> Hilst - Morte
Eu
Corroendo
Como Escadas Grandes
Da Minha Alma.
Água. Chamas Como te?
Tempo.
Antes Vivida
Revestida de laca
Minha alma tosca
Se desfazendo.
Chamas Como te?
Tempo.
corroendo Águas
Caras, coração
Todas de Cordas do Sentimento
Chamas Como te?
Tempo.
Irreconhecível
Me procuro lenta
Nos escuros TEUs
Chamas Como te, breu?
Tempo.
Hilst, Hilda. Da morte. Odes Mínimas. São Paulo: Globo, 2003. p.71.
_______
Imagem: idiota
Fonte: Imaginário Poético
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Morre Roberto Piva
Um maiores nomes da poesia marginal brasileira, o poeta Roberto Piva morreu em São Paulo, no sábado, aos 72 anos. O escritor sofria de Mal de Parkinson e estava internado desde o dia 13 de maio no Instituto do Coração por conta de uma insuficiência renal, que evoluiu para uma falência múltipla de órgãos.
Nascido em São Paulo no dia 25 de setembro de 1937, Roberto Piva foi um poeta ligado aos marginais dos anos 60, tendo sido influenciado pelos autores da geração beat americana. Ele foi revelado na coletâneas "Antologia dos Novíssimos", de Massao Ohno, publicado em 1961, e "26 poetas hoje", de Heloisa Buarque de Holanda.
Piva foi professor na rede de ensino público, produtor de shows de rock e é um dos três únicos poetas brasileiros a ser citado no Dicionário Geral do Surrealismo publicado na França.
Em 2005, toda sua obra foi republicada pela editora Globo em três volumes - "Um estrangeiro na legião", "Mala na mão e asas pretas" e "Estranhos sinais de saturno". Seu primeiro livro, "Paranóia", publicado originalmente 1963, foi reeditado em 2009 pelo Instituto Moreira Salles.
Veja trecho de programa com Roberto Piva, exibido na TV Cultura
Leia o poema "Praça da República dos meus sonhos", de Roberto Piva
POEMA DA NOITE
Praça da República dos meus sonhos - Roberto Piva
A estátua de Álvares de Azevedo é devorada com paciência pela paisagem
de morfina
a praça leva pontes aplicadas no centro de seu corpo e crianças brincando
na tarde de esterco
Praça da República dos meus sonhos
onde tudo se faz febre e pombas crucificadas
onde beatificados vêm agitar as massas
onde Garcia Lorca espera seu dentista
onde conquistamos a imensa desolação dos dias mais doces
os meninos tiveram seus testículos espetados pela multidão
lábios coagulam sem estardalhaço
os mictórios tomam um lugar na luz
e os coqueiros se fixam onde o vento desarruma os cabelos
Delirium Tremens diante do Paraíso bundas glabras sexos de papel
anjos deitados nos canteiros cobertos de cal água fumegante nas
privadas cérebros sulcados de acenos
os veterinários passam lentos lendo Dom Casmurro
há jovens pederastas embebidos em lilás
e putas com a noite passeando em torno de suas unhas
há uma gota de chuva na cabeleira abandonada
enquanto o sangue faz naufragar as corolas
Oh minhas visões lembranças de Rimbaud praça da República dos meus
Sonhos última sabedoria debruçada numa porta santa
Roberto Piva nasceu em São Paulo no dia 25 de setembro de 1937. Poeta ligado aos marginais dos anos 60, esteve na Antologia dos Novíssimos de Massao Ohno em 1961 e em 26 poetas hoje de Heloisa Buarque de Holanda. Foi professor na rede de ensino público, produtor de shows de rock e é um dos três únicos poetas brasileiros a ser citado no Dicionário Geral do Surrealismo publicado na França.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Poema de Di Cavalcanti > Ali ela morava
Fonte: Imaginário Poético - revistaimaginariopoetico@gmail.com
Apresento a vocês uma verdadeira raridade que garimpei em um sebo: um poema de Di Cavalcanti publicado na Antologia de Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos, organizada e apresentada por Manuel Bandeira em 1946. Mas deixo que o próprio Bandeira apresente o pintor como poeta:
"O seu verdadeiro nome é Emiliano Cavalcanti, mas sempre se assinou Di Cavalcanti, e às vezes Emiliano Di Cavalcanti. (...) Teve atuação saliente no movimento modernista; foi mesmo dêle que partiu a idéia da 'Semana de Arte Moderna', realizada em São Paulo em fevereiro de 1922. (...) Se Di Cavalcanti não fôsse por vocação pintor, poderia ser escritor, pois tanto no verso como na prosa revela o dom da expressão aguda e original. Afora poemas avulsos, escreveu um livro de poesia, até o presente inédito, intitulado 'O Testamento da Alvorada'."
O Testamento poético de Di foi publicado em 1955 e atualmente só pode ser encontrado em alguns sebos pela bagatela de uma centena de notas e uma mão de moedas. Enquanto isso as grandes editoras brasileiras publicam ora autores nacionais que se ocupam com uma literatura de massa, ora traduções baratas de best sellers de autores estrangeiros cuja qualidade literária não vale as árvores que fizeram tombar para que suas páginas fossem impressas. Nesta perspectiva temos o placar de 3x0 para a publicação na web: 1 ponto porque não derruba árvores; mais 1 porque não se move ao sabor do mercado editorial, ao menos não necessariamente, e ainda outro por, democraticamente, disponibilizar textos importantes e até mesmo indispensáveis à cultura de uma nação, mas às vezes materialmente indisponíveis ao grande público.
Sendo assim, aproveitem um pouco do poeta Di Cavalcanti, pois é bom, gratuito e ecologicamente correto!
Abraço a todos,
dana paulinelli
[O Beijo, Di Cavalcanti, 1923]
A virgem morena
Pedia pecado.
Na noite do mêdo,
No lago das cobras,
Os olhos de fôgo
Da virgem morena
Queriam desgraças,
Queriam paixão...
O vento açoitava;
As flores dolentes
De espasmo murchavam
Pedia pecado.
Na noite do mêdo,
No lago das cobras,
Os olhos de fôgo
Da virgem morena
Queriam desgraças,
Queriam paixão...
O vento açoitava;
As flores dolentes
De espasmo murchavam
A virgem morena
Pedia pecado.
As pernas molhadas
De água cheirosa
Abriam-se em galho
No negro do céu.
Os seios da virgem,
O' seios da virgem!
Dois lírios de ouro.
A virgem morena
Pedia pecado.
A virgem morena
É a deusa do mal?
Assim contaram-me no barranco
do Rio Grande...
É aquela que mata
Os homens fogosos
Que tentam beijá-la?
É a morta viva dos infernos?
Não tem coração nem alma
Aquela que só deseja o dia
E vive na treva?
É ela a rainha de mil desejos flagelada?
A virgem morena
Pedia pecado.
Caiam dos ramos
Os frutos de sangue
Corujas e bruxas
Dançavam no ar,
As pombas noturnas
Morriam de amor.
A virgem morena
Pedia pecado.
Porque essa angústia
Na incompreendida virgem?
Êste céu negro
E o visgo verde das folhas venenosas?
Porque tanta coisa maldita
Cercando o corpo da virgem?
A virgem morena
Pedia pecado.
A morte beijou a virgem;
Gritavam caiporas
Uivavam as antas,
As onças hurlavam,
As cobras mordiam
As ancas das éguas.
O' gritos de corvos!
O' risos de loucos!
A morte beijou a virgem;
Nunca ninguém soube seu nome,
Seu corpo virou terra,
A erva daninha,
Nasceu pela terra
Com espinhos ferindo os pés dos homens.
A virgem morena
Pedia pecado.
DI CAVALCANTI, Emiliano. In: BANDEIRA, Manuel. Antologia de Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos. 1a edição. Rio de Janeiro: Livraria Editora Zelio Valverde, 1946. p.51,53.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Récita da Liberdade - A poesia de Frei Caneca
Récita da Liberdade
Um dos mais importantes personagens da história pernambucana será homenageado próximo dia 13, no Museu da Cidade do Recife. O religioso, jornalista e revolucionário Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo – mais conhecido como Frei Caneca – será lembrado em solenidade na sede do próprio museu, no Forte das Cinco Pontas.
Frei Caneca, um dos mentores intelectuais da Revolução de 1817, foi executado em Recife em 1825. Suas críticas ao governo português ficaram famosas no jornal que editava, o Typhis Pernambucano. Na homenagem programada no Museu da Cidade do Recife consta um recital de poesia reunindo o elenco do grupo Vozes Femininas: Cida Pedrosa, Mariane Bigio, Silvana Menezes e Suzana Morais e do quartetro de musisitas Flores de Maio.
A programação começa as 17h, com entrada franca.

Trecho de um poema de Frei Caneca
O peito d’antes sereno
Centro de amor e ternura,
Agora é morada escura
De males mil, com que peno.
Vós p’ra quem um fado ameno
Aponta com áureo dedo,
Fugi de mim porque cedo
Mudar-se vereis a sorte;
Pois o meu mal é tão forte,
Que até de mim tenho medo.
Confira outros textos do poeta
o maior acervo da poesia pernambucana na internet
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
LUIZ ALBERTO MACHADO & BANDA NA ARTNOR 2010
No próximo dia 18 de janeiro, a partir das 20 hs, na 15ª Feira de Artesanato do Norte e Nordeste – ARTNOR 2010, o compositor e poeta Luiz Alberto Machado realiza show musical apresentando suas composições musicais e poemas, acompanhado de sua banda.
O show faz parte da programação da ARTNOR 2010 e traz algumas das suas músicas já gravadas por diversos artistas, bem como outras canções, xotes, baladas e frevos de sua autoria.
Luiz Alberto Machado possui formação em Letras e Direito, tendo já publicado 6 livros de poesias, 7 infanto-juvenis, 2 de crônicas e 1 folheto de cordel. Ele é editor do Guia de Poesia do Projeto SobreSites – RJ, é radialista com trabalho em diversas emissoras e membro da Cooperativa dos Músicos de Alagoas – COMUSA.
SERVIÇO: LUIZ ALBERTO MACHADO & BANDA
Quando: dia 18 de janeiro, a partir das 20hs.
Onde: XV Feira de Artesanato do Norte e Nordeste – ARTNOR 2010, no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso, no bairro de Jaraguá, em Maceió.
Ingresso: R$ 2,00 (inteira) e R$ 1,00 (estudante e melhor idade)
Ponto de Venda: no local do evento
Informações: 0800 570 0800, 88454611 ou http://www.luizalbertomachado.com.br/
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
SONHADOR
Sou apenas um cidadão
pobre, negro, desnutrido,
nordestino e sem dinheiro no banco
sendo obrigado a dizer "sim senhor"
a pequenos e seletos grupos
como forma de sobrevivência.
Eu sou apenas um sonhador
que acredita em uma convivência
(vivência)
mais humana com o semelhante,
sem precisar pedir-lhe
identidade, passaporte,
comprovante de residência
(indigência)
atestado de antecedentes criminais
Recife, novembro 2009
Jacytan Melo poeta, músico e produtor
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
PRAÇAS DO RECIFE
Foto: estátua de Clarice Lispector, na Praça Maciel Pinheiro
Praça Maciel Pinheiro
ponto de encontro de
fumantes, bebados,
desordeiros, desocupados,
trambiqueiros, vagabundos,
religiosos e amantes.
Poderia ser também
Praça Sérgio Loreto,
Arsenal da Marinha,
17 de Agosto,
Chora Menino...
Tem sido assim ao longo desses anos
esses mesmos personagens
misturam-se entre bancos, jardins,
fontes e luminárias
fazendo parte da história
desse meu amado Recife.
Jacytan Melo, poeta, músico e produtor
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
SILÊNCIO
Meu silêncio é minha sobrevivência
é minha vivência entre os vivos,
entre os mortos, entre as sombras.
Nada falo, nada penso, nada sou
apenas ouço gritos e sussurros,
de uma sociedade em decadência.
È bom estar em silêncio
ouvindo os labirintos da mente
o pulsar do coração.
Meu silêncio é minha inspiração
nau sem rumo, sem prumo
navegando no mar aberto
em uma escuridão sinistra.
Meu silêncio incomoda o barulho
perturba o caos.
Vai de encontro à luz, pálida,
fria, enormemente brilhante,
refletindo meu semblante
no cais do porto deserto.
Jacytan Melo, poeta, músico e produtor
Concurso Prêmios Literários da Cidade do Recife
Durante o período de 15 de dezembro de 2009 a 15 de janeiro de 2010, a Prefeitura do Recife, por meio do Conselho Municipal de Cultura, abre as inscrições para o Concurso Prêmios Literários da Cidade do Recife. O objetivo do concurso, criado em 1972, é divulgar e distinguir obras inéditas em língua portuguesa, nas categorias Ficção, Ensaio, Poesia e Peça Teatral. Os prêmios são de R$ 5.000 para o vencedor de cada categoria e as obras vencedoras serão editadas pela Fundação de Cultura Cidade do Recife (FCCR).
As inscrições devem ser realizadas no Conselho Municipal de Cultura, que fica na Rua das Águas Verdes n°08, Pátio de São Pedro, s/n°, São José - CEP 50010-340 - Recife PE, no horário das 9h às 13h, ou pelo correio, desde que os trabalhos sejam postados dentro do prazo das inscrições.
Para selecionar os vencedores, será composta uma comissão julgadora, formada por três membros indicados pelo Conselho, para cada uma das categorias, que premiará apenas uma obra por gênero e poderá fazer até três menções honrosas. Os resultados do concurso serão divulgados no Diário Oficial do Recife, do dia 30 de janeiro de 2010, e a partir desta data, na internet, pelo site.
Informações:
Conselho Municipal de Cultura
Fones: 3232-2032// 2033// 2809
Conselho Municipal de Cultura
Fones: 3232-2032// 2033// 2809
O regulamento completo pode ser acessado no Diário Oficial do Município da data de 10 de dezembro de 2009.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Cuti, o poeta negro
Luiz Silva (Cuti) é escritor, Mestre em Teoria da Literatura e doutorando no Instituto de Estudos da Linguagem - UNICAMP. Publicou, dentre outros, Flash Crioulo sobre o Sangue e o Sonho (poemas - 1987) Quizila (contos - 1987), Dois Nós na Noite (teatro -1991) e Negros em Contos (1996).
Cuti, pseudônimo de Luiz Silva, um paulista nascido em Ourinhos, em 1951. é um dos autores negros mais respeitados da geração surgida no Brasil a partir dos anos 1970 Ele diz que a caracterização de uma literatura depende muito do ângulo de visão e do interesse do analista e coloca o foco na subjetividade e na ideologia. "Para mim, literatura negra se identifica pela predominância da experiência subjetiva de ser negro transfigurada em texto", afirma ele.
SUA OBRA:
Negroesia é uma seleção de poemas, feita pelo autor, constando textos publicados em seus livros e, também, na série Cadernos Negros. A eles foram acrescentados onze poemas inéditos. As seções (Cochicho, Aluvião, Chamego e Axé) não são títulos de obras. Marcam uma aproximação temática dos poemas, correspondendo, respectivamente, a metalinguagem, consciência racial, sensualidade e religião.
O livro Negroesia é um lançamento da Mazza Edições Ltda. (31) 3481-0591. Preço R$ 20,00.
SEU POEMA:
O FUTURO
O futuro está no saco
o futuro está nas trompas
o futuro no entanto já está nas ruas
o futuro das ruas é imediato
sente fome e sede
frio e falta de afeto e vive no asfalto
o futuro das ruas verde amendoim
pede esmolas
toma conta dos automóveis
mas não toma leite
o futuro das ruas anda descalço
e vira malandro
o futuro das ruas apanha dos policiais
se revolta, é preso, é morto
o futuro das ruas se deteriora
aos nossos olhos passivos
e cegos no futuro do saco
no futuro das trompas.
Autor: Cuti, do Livro NEGROESIA - Antologia Poética
O FUTURO
O futuro está no saco
o futuro está nas trompas
o futuro no entanto já está nas ruas
o futuro das ruas é imediato
sente fome e sede
frio e falta de afeto e vive no asfalto
o futuro das ruas verde amendoim
pede esmolas
toma conta dos automóveis
mas não toma leite
o futuro das ruas anda descalço
e vira malandro
o futuro das ruas apanha dos policiais
se revolta, é preso, é morto
o futuro das ruas se deteriora
aos nossos olhos passivos
e cegos no futuro do saco
no futuro das trompas.
Autor: Cuti, do Livro NEGROESIA - Antologia Poética
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Gloria Regina
♫
Gloria Regina, poeta e cantora. Artista homenageada na 5ª edição do Canta Boa Vista, realizada no dia 05 de dezembro de 2009, na Rua Sete de Setembro, bairro da Boa Vista, centro do Recife.ESTRELAS
Falta luz nos postes
e surgem estrelas no céu;
milhões e mailhares,
infinitas e lindas.
Volta a luz nos postes
somem as estrelas...
Foi só um instante
que durou uma eternidade...
É o preço da civilização.
GRITO
O que motiva o grito
São coisas que esmagam
São fatos que machucam
São atos que estarrecem
O que sufoca o grito
São coisas que amedrontam
São fatos que assustam
São atos que proíbem
O que esmaga o grito
É o mêdo da verdade
Pavor da consequencia
até que o grito sufocado
explode em violência!
LIBERDADE
O poder dita seus ditos
e fica o dito pelo não dito.
A arte,
que dita a voz da liberdade
tem seu grito
estrangulado na garganta;
Tem sua força
reprimida;
seus heróis
torturados.
Mas a morte não vence a arte
Como a morte não vence a vida.
Pois arte é vida
como vida é arte.
A repressão,
não reprime a arte;
Ela escapa, foge
se insinua e vence.
Vence alcançando os povos,
as nações.
E seu hino se espalha
e atinge corações.
E semeada e colhida
se propaga sua mensagem,
se revelam seus segredos.
E dito pelo não dito
com toda força da emoção,
O homem morre
mas sua arte
NÃO
Confusa
Escrevo em fracassados enigmas
deixando óbvio o que tento esconder
em frases que desmascaram
minha tentativa
de escondida
me mostar.
E assim me revelo
no que tento esconder,
e assim me escondo
no que tento revelar!
09/11/04
Desilusão
Você machucou meu coração
quando fez o que eu não queria
me dando aquilo que eu não merecia
e não me dando a mesma atenção.
Você iludiu meu coração
me fez crêr que você me queria
fiz de ti a minha alegria
mas voce não quer nossa união
Deixei falar a minha emoção
te dei carinho e dedicação
todo respeito e consideração
Como retorno fui divertimento
não respeitou nem o meu sentimento
plantou a mágoa e o ressentimento.
04/11/06
É bonito
É bonito o mar quebrar na areia,
o ar balançar as flores,
uma aranha fazer sua teia.
É bonito a magia das cores,
é bonito uma estrela no céu,
o claro cintilar da lua,
as nuvens passeando ao léu,
a chuva caindo na rua.
É bonito um pássaro cantar,
o colorido e rápido beija-flor,
o imenso azulão do mar.
É bonito uma borboleta colorida
pousada numa janela florida.
É bonito o olhar de um gatinho inocente
que nada nesta vida mauda,
O latido com que um cão alegremente
nos sauda balançando a calda.
É bonito um ser querer,
É bonito um ser lutar,
É bonito um ser cair
e saber se levantar.
Elevação decadente
Se o homem não fosse
tão precipitado
estaria preparado
prá não cair no abismo
que caiu.
Projetando suas cidades
projetadas ou não,
destruindo a natureza
criando a poluiçao.
É progresso,evolução,
passo para o sucesso,
para a elevação.
Mas
maior que o crescimento material
é a decadência moral...
Vai construindo suas babéis
tentando chegar ao cume
de um monte que não conhece.
Mas ele desaba pela discórdia
pela gana material...
e nasce a falsa moral.
E à medida que sobe
desce
e ainda se sente contente!!!
É a verdadeira
elevação
decadente.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Nilo Pereira: 100 anos
"Amo este Recife velho e novo,
na perspectiva criadora do tempo (...)
Cidades de estudantes, de
professores, de políticos, de líderes,
de inconformados, de conservadores,
sempre magra e esguia, é preciso
tempo,engenho e arte para conquistá-la."
na perspectiva criadora do tempo (...)
Cidades de estudantes, de
professores, de políticos, de líderes,
de inconformados, de conservadores,
sempre magra e esguia, é preciso
tempo,engenho e arte para conquistá-la."
(Nilo Pereira em seu lado humanista, fez uma declaração de
amor para o Recife.)
Nascido em 1909, na cidade do Ceará - Mirim, no Rio Grande do Norte, Nilo Pereira veio para o Recife onde se radicou. Trabalhou durante quarenta nos no Jornal do Commercio, onde publicou a coluna "Notas avulsas" regularmente.
Em sua vida literária publicou mais de 50 títulos dentre livros e plaquetes, no campo da literatura, da ensaística, da poesia e do romance.
Nilo Pereira teve uma extensa vida intelectual, avultada nas aulas ministradas, nas conferências proferidas, nas bancas examinadoras na Universidade Federal de Pernambuco que teve como catedrático de
História Universal, e foi um dos fundadores da Faculdade de direito da Universidade Católica de Pernambuco. Nilo faleceu em 1992.
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