Todo tirano tem em seu caminho uma bala perdida (bem vinda) que lhe tira a vida, derruba-o do poder. Jacytan Melo

Caldeirão lisergico - Malungo e Leonardo Chaves

Vídeo produzido por Malungo e Leonardo Chaves, mostra lances da poesia alternativa pernambucana, registros de fotos, livros e cartazes com textos de Francisco Espinhara e Bráulio Brilhante, além de poemas do livro de Malungo,"O terceiro olho usa lente de contato" numa estética de video clip.

Fragmentos de um Livro leve com águas e anoitecimentos

Fragmentos de poemas de um Livro leve que virá com "Águas e anoitecimentos" de Edmir Carvalho Bezerra

Marcelino Freire

Tempo Ácido - poeta Malungo

sexta-feira, 31 de maio de 2013

GERAÇÃO 65:

Mudando a história da produção literária recifense

A paisagem do Recife sempre serviu de palco de inspiração para os artistas. Isso acontece há mais de quatro séculos. Muitos dos escritores se deixaram contagiar pelo cenário exuberante da cidade do Recife. Essa safra de escritores surgiu na década de 60, renovando a tradição literária recifense.

Em meio ao ambiente hostil e opressivo da ditadura de um regime militar, que se instalou no Brasil em 1964, surgiram versos líricos e políticos de poetas que expressavam suas mágoas, sentados nas mesas dos bares da cidade, entre um traço e outro de estrofes de um verso, bebiam goles de chopp.

Esses poetas, unidos pela literatura, deram origem à chamada "Geração 65", e ao movimento das Edições Pirata, que chegou a publicar na época mais de trezentos livros.

GERAÇÃO 65

Grupo formado em Jaboatão, PE, 1964. Seus membros Alberto da C. Merlo, Domingos Alexandre, José L. A. de Melo e Jaci Bezerra se reuniam em função da produção poética que cada um desenvolvia. Denominou-se inicialmente"Grupo de Jaboatão" , passando a ser conhecido, por sugestão do historiador Tadeu Rocha, no Recife, como Geração 65. Fundaram o Movimento Pirata e as edições do mesmo nome, mantgendo a marca Geração 65.

Fonte: Enciclopédia de Literatura Brasileira, de Afrânio Coutinho e J. Galente Souza, Global, 2001.
____________________________________________________________

OS MENDIGOS

Os mendigos adormecem
na calada da noite
alimentados pelos restos
da sociedade de consumo,

aspiram cheiros de esgotos, cola e escrementos.

Estão em todas as esquinas
desprovidos de pudores
com a alma desnuda de
desejos e sentimentos.

Já não sonham mais
os mendigos desfalecem
na calada da noite.

Jacytan Melo, poeta, músico e produtor

DO EXERCÍCIO DE ESCREVER

Dedos presos no teclado
cabeça ainda vazia
coração cheio de amores
não correspondidos.
Aos poucos os dedos deslizam
num movimento autômato,
ensaiando algumas palavras,
algumas linhas de um poema.
Já é madrugada, poucas palavras
são escritas, porém,
carregadas de emoção.
Chego a temer,
o esforço dos dedos no teclado
possa perturbar
o silêncio da noite.
O dia amanhece,
mal percebo o amanhecer,
devido a longa batalha noturna:
o exercício de escrever poema.

Jacytan Melo, poeta, músico e produtor.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Escritora e jornalista pernambucana Lana Valentim, lança livro em Recife


(Imagem: Reprodução/Internet)
A escritora e jornalista Lana Valentim lança o seu livro "Caminhos de Lana, como venci a depressão", no dia 28 de maio, às 19h, no Museu do Estado de Pernambuco. Na ocasião, também será lançado, o Portal interativo Lente Interior (www.lenteinterior.com.br)

Fonte:Site de Lana Valentim
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SPIDER.A D RENDE MAIS. SEJA NOSSO PARCEIRO

7º Festival Palco Giratório segue até 31 de maio em Pernambuco


(Imagem: Reprodução/Internet)
Até 31 de maio, Pernambuco é sede do 7º Festival Palco Giratório, que está sendo apresentados cerca de 46 espetáculos teatrais de 13 estados do país. As peças "O Beijo no Asfalto", "Insone", entre outras, fazem parte da grade de programação da maratona cênica. O ingresso é R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia).
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quinta-feira, 9 de maio de 2013

Estância Poesia Crioula convida para a solenidade de premiação de concurso de poesia



A Estância Poesia Crioula convida para a solenidade de premiação do:

2º Concurso de Poesia Gauchesca Jayme Caetano Braun

2º Concurso de Causo Gauchesco Apparicio Silva Rillo

Dia 18 de maio de 2013
Horário: às 15h
Local: Salão Brasil
Colégio Militar de Porto Alegre
Avenida José Bonifácio, 363
Parque Farroupilha - RS

Apresentação de Pajadas com:
Paulo de Freitas Mendonça & José Estivalet
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quarta-feira, 10 de abril de 2013

Lycia Barros ministra curso de escrita literária em Salvador


Créditos: Divulgação
por Carlos Yeshua

Interessados em participar devem reservar sua vaga o mais breve possível


A escritora carioca Lycia Barros promove em Salvador, no dia 27 de abril (sábado), das 10h às 16h, o curso “Como escrever ficção”, destinado a novos autores ou para aqueles que desejam aperfeiçoar sua escrita. Serão apresentadas técnicas para criação de sinopse, personagens e diálogos que cativem o leitor desde a primeira até a última página. O curso será realizado em parceria com o jornalista Carlos Souza e para participar, os interessados devem confirmar participação o mais breve possível, através do e-mail: carlossouzamkt@hotmail.com, onde também poderá obter as informações completas. As vagas são limitadíssimas.

As aulas serão ministradas pela escritora Lycia Barros, uma carioca que cursou Letras na UFRJ e levou o amor aos livros para sua profissão. Em 2011, Lycia criou a Fábrica de Autores, um projeto com o objetivo de auxiliar os novos autores através de oficinas e cursos. A escritora já realizou este curso no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Livros – O primeiro romance de Lycia foi o livro “A Bandeja, qual pecado te seduz?”, (2010), O livro rapidamente se consagrou e participou de importantes prêmios literários no país. Entre eles, foi finalista do prêmio Areté de literatura 2011. Em 2011, lançou mais dois livros: “Entre a mente e o coração” (segundo volume da coleção Despertares) e “Tortura cor-de-rosa”, que fala sobre o tema Bullying e já foi adotado em vários colégios como livro paradidático.

Em 2012, a autora carioca lançou mais dois livros: o romance adolescente “A garota do outro lado da rua” e o romance para jovens adultos “Uma herança de amor”. Atualmente Lycia Barros também dá palestras por todo Brasil e ministra cursos de escrita para novos autores.

Serviço:
O que: Curso “Como escrever ficção”, com Lycia Barros.
Onde: No Centro Empresarial Iguatemi – Salvador/BA
Quando: Dia 27 de Abril de 2013 (sábado), das 10h às 16h.
Quanto: Sob consulta
Informações: 71 8122-7231
E-mail: carlossouzamkt@hotmail.com

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quinta-feira, 4 de abril de 2013

Open House da McSill Agency Brasil com a presença de Richard Krevolin Dia 11 de maio de 2013 (sábado), em São Paulo


Richard Krevolin
por McSill Agency

Dia 11 de maio de 2013 (sábado), em São Paulo

Giuliana Trovato convida para o Open House (visita aberta) à McSill Agency,  dia de contato pessoal com autores, em que poderão apresentar e discutir os seus manuscritos para profissionais da indústria do livro.

No dia 11 de maio, o convidado será Richard Krevolin.

Richard Krevolin lecionou técnicas de criação de romances, escrita para o teatro e para cinema e TV por 15 anos, nas universidades UCLA e USC, na Califórnia. Os seus alunos venderam trabalhos para algumas das maiores editoras americanas e grandes estúdios de Hollywood. Richard realiza diversos projetos diretamente com James McSill.  Professor Krevolin, como é conhecido, além de ser um dos mais bem conceituados consultores internacionais da McSill Story Studio, atua não só nos EUA, mas também nos cinco continentes.

Richard representa a McSill Story Studio na Califórnia, USA.

Única data!

Esta é uma oportunidade, única e exclusiva, para que autores tragam seus manuscritos, conversem diretamente com Richard Krevolin e a agente Giuliana Castorino para compreender melhor o trabalho de agenciamento e como direcionar a carreira. Neste dia poderão trocar informações, esclarecer dúvidas e promover a aproximação e o intercâmbio no mercado editorial.

Horário: 9h00 às 17h00 (mediante agendamento).

Como contratar a sua consulta particular com Richard Krevolin e Giuliana Castorino:

Participantes do Projeto Book-in-a-box, clique aqui para maiores informações.

Autores em geral: R$ 200 reais mais taxas a consulta, que terá a duração de 15 minutos. Devido à grande procura, a agência fará o possível para o acomodar num horário que lhe seja mais adequado entre as 9 da manhã e 5 da tarde. 

Contrate pelo link: http://www.mcsill.net/open.php

Haverá tradutor caso você não consiga se comunicar em inglês.

Endereço: Av. Paulista, 726 – 17º andar - São Paulo – SP

Para mais informações: www.agency.mcsill.com

Para agendamentos: agency@mcsill.com
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terça-feira, 12 de março de 2013

Unidades do Sesc comemoram o Dia Nacional da Poesia



Em comemoração ao Dia Nacional da Poesia (14 de março), as unidades do Sesc homenageiam a data com atividades para o público. Em Piedade, o Sesc promove um recital e uma representação literária com a temática do artista/arte. O recital acontece nesta quarta-feira (13), às 17h, na biblioteca da unidade.

Nesta quinta-feira (14), o poeta Adriano Cabral se apresenta na Biblioteca Central da Universidade Federal Rural de Pernambuco, às 15h. A intervenção faz parte das ações sistemáticas de literatura desenvolvidas pelo Sesc Santa Rita no local.

No interior, as bibliotecas das unidades do Sesc Caruaru e Arcoverde também realizam atividades para marcar o dia (14). Em Caruaru, às 9h e às 15h, serão realizados recitais com poetas locais. E em Arcoverde, às 19h, o projeto Chá com Poesia também abre espaço para a declamação, com a participação de poetas locais e do público.

A entrada é gratuita para todas as ações.

Fonte: Sesc Pernambuco

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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Evento online - O agenciamento literário

(Reprodução/McSill Literary Agency)

Giuliana Trovato, agente executiva-chefe da McSill Literary Agency, e James Mcsill, fundador do grupo McSill Literary Management, estarão online num evento de fim de ano, gratuito, respondendo perguntas de autores profissionais ou iniciantes a respeito de agenciamento literário e publicação no exterior.

McSill Literary Agency
Os tópicos:

  • O papel do agente literário;
  • Como encontrar/buscar um agente literário;
  • Como conseguir um agente para seu manuscrito;
  • Como escrever para um agente literário;
  • O que diferencia um bom/mau agente;
  • Como publicar no exterior;

Dia: 16 de dezembro de 2012

Horário: 18h (hora de SP/ RJ)

Poderá ser assistido via:

- Twitcam
- Livestream
- WeMobi

Para se inscrever, envie um email para info@mcsill.com e aguarde as informações de login.

A vida sem assento

Eliza Andrade Buzzo - (Reprodução/Internet)
por Eliza Andrade Buzzo (São Paulo, 29/11/2012), publicado no site Digestivo Cultural)

Preciso me sentar. Não por muito tempo, preciso me sentar por algumas poucas horas, não peço muito, apenas esperar e matar o tempo trabalhando. Mas preciso de um lugar para apoiar o corpo. Nem mesa peço, apenas cadeira em lugar relativamente seguro para encostar as costas. A esta altura, nem peço para encostar as costas mais, apenas para apoiar o quadril, as folhas e as canetas apoio no regaço, ou nem isso, suspendo as folhas ante meus olhos, porque as letras são pequeninas. De todo modo, não há onde se sentar e, em última hipótese, ficarei em pé, meio que encostada, num poste, num orelhão, num corrimão de escadaria, porque até para se encostar está difícil em São Paulo.

Preciso de um café, um café com uma pequena mesa, nada mais nada menos do que uma mesa minúscula onde eu possa pedir um pão de queijo, uma água, consumir o mínimo possível e encontrar apoio para papel e mente. Há alguns cafés no centro, mas estão todos lotados, essa vida é palpitante demais e parece que aos solavancos me coloca cada vez mais para fora de sua zona de influência. É desanimante a falta de espaço que uma cidade tão grande incute aos seus habitantes. Não há onde ficar, nunca há mesas nem cadeiras vagas, temos medo das praças, estou prestes a aceitar o desmoronamento das coisas, quando insisto, retorno, luto por um lugarzinho à sombra, debaixo do ar-condicionado, o tampo da mesa lascado, as pernas bambas. Sim! É preciso, é possível encontrar um lugar, uma moeda rara disposta no chão; e então a vida me coloca para dentro dela, gira nos eixos, como se para tanto fosse necessário pagar o quinhão da perseverança.

Não peço silêncio, encaro o ruído indistinto da soma das conversas. No meio de tanta gente estou só; seria um consolo aguardar alguém? Não, estou por mim mesma, a vida remexida e sugada pelo canudo. Agora já me dou ao luxo de consumir café gelado com chantilly, bolo de banana, croissant de frango, e a conta, ainda não penso nisso, ela fica para o final. O que importa é este momento de satisfação ilusória: eu tenho um lugar no mundo nesta cidade lotada e ninguém vai me tirar daqui antes das 22h. E isso nunca é o suficiente, há vazios a serem preenchidos, angústias que prosseguem a despeito da boca cheia. Viro a folha.

Gratuitamente, quero chegar num lugar, encontrar uma mesa e uma cadeira disponíveis num bom ambiente. Vou ao Centro Cultural. A esperança é a de que lá seja possível ver o luar, nem que seja dividir uma mesa, há todo tipo de estudantes, os de cursinhos, que tentam o vestibular, com suas apostilas grossas em espiral, folhas de fichário e canetas coloridas. Alguns, mais velhos, tentam concursos públicos e fazem suas amizades de mesa em mesa; um se apoia no outro. Naquela frente à minha, há um moço sério, de queixo duro, cabelo raspado e óculos. É um soldado dos estudos em sua trincheira de livros. Três tijolões e um eReader. Direito administrativo. Uma guerra de estudos silenciosa se desenrola, enquanto bem à minha frente o menino nem passou de dez páginas de uma introdução à engenharia, suas pernas compridas já trombaram em meus joelhos e cambaleia a fronte. Até que desiste e recosta a cabeça e os cotovelos no livro.

Acaso aqui, nesta vitrine de estudos fictícios, sossego tenho eu? Nestes espaços coletivos, amontoam-se revelações íntimas. Preciso agora me fixar num ponto − que se esvaneça em farelo de borracha, pó de queijo e grãos torrados esta paisagem que me fere e circunda −, e não pensar no que foi ou no que será. Mas me pergunto, o porquê, por que saímos em busca de um lugar e não permanecemos em casa? Se não há onde ficar, a cidade vai te empurrando pra fora, pra fora numa dança de cadeiras mais real do que nunca. Finalmente, já muito tarde na cidade sonolenta, consigo um assento no ônibus, sereno e volante.

Quem é Elisa Andrade Buzzo?


Elisa Andrade Buzzo nasceu em 1981 na cidade de São Paulo. Passou a infância e a adolescência entre a capital e Vinhedo, no interior do estado. É formada em jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), com especializações em edição de livros e jornalismo literário. 

Depois da publicação de seu primeiro livro de poemas, Se lá no sol (7Letras, 2005), participou de antologias no Brasil e no exterior, como Oitavas (Demônio Negro, 2006), Cuatro poetas recientes del Brasil (Black&Vermelho, 2006), Antologia Vacamarela (2007), Caos portátil, poesía contemporánea del Brasil (El Billar de Lucrecia, 2007), Poesia do dia: poetas de hoje para leitores de agora (Ática, 2008), Roteiro da poesia brasileira: anos 2000 (Global Editora, 2009). Seus livros seguintes, Noticias de ninguna parte (Limón Partido, 2009), Canción retráctil (La Cartonera, 2010) e Kanto retráctil (Yiyi Jambo, 2010) apareceram em edições bilíngues. Também foi coeditora da revista de literatura e artes visuais Mininas, dedicada a publicar exclusivamente mulheres. De volta a São Paulo, após residir em Bordeaux, colabora no mercado editorial. Desde 2006 mantém uma coluna dedicada à crônica na revista eletrônica Digestivo Cultural (http://www.digestivocultural.com).

Fonte: Editora Patuá

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Exposição do Projeto Poemagem no Espaço Cultural Teatro Mamulengo, de 17 a 28/10


V Prêmio Literário Canon de Poesia 2012

(Reprodução/Internet)

O concurso cultural denominado V Prêmio Literário Canon de Poesia 2012 é promovido pela Canon do Brasil Ind. e Com. Ltda, pessoa jurídica estabelecida na Cidade de São Paulo, inscrita no CNPJ sob o nº 046.266.771/0001-26, pela Fábrica de Livros, selo editorial do Grupo Editorial Scortecci, para autores brasileiros, maiores de 16 anos, residentes no Brasil.

Tem por objetivo descobrir novos talentos, promover a literatura e difundir a impressão digital de livros no Brasil. Este concurso é exclusivamente de cunho cultural, sem qualquer modalidade de sorte ou pagamento pelos concorrentes, estando aberto à participação de todos que assim o desejarem, sendo promovido pela empresa de acordo com a Lei n. 5768/71 e Decreto 70.951/72.

REGULAMENTO

Ao fazer a inscrição, o Autor estará concordando com as regras do concurso, inclusive autorizando a publicação da obra em antologia e responderá por plágio, cópia indevida e demais crimes previstos na Lei do Direito Autoral.

O Autor poderá participar com apenas 1 (uma) POESIA, inédita, não publicada em livro (papel, eletrônico ou qualquer outro suporte), blog, site, facebook ou qualquer outra mídia existe, de no máximo cinco mil caracteres. Os trabalhos deverão estar em língua portuguesa, o que não impede o uso de termos estrangeiros no texto.

O tema é livre e a inscrição grátis.

A POESIA deverá ter obrigatoriamente um título. Não há necessidade de pseudônimo (nome literário).

Inscrições de 13 de agosto de 2012 a 30 de novembro de 2012, somente pela Internet através do site Concursos e Prêmios Literários.

Inscrições

A parceria Canon do Brasil e Grupo Editorial Scortecci escolherão uma Comissão Julgadora composta de três membros de renomado prestígio literário e uma Comissão Organizadora que resolverá os casos omissos deste regulamento, se houver.

PRÊMIO:

Publicação da obra em antologia do V Prêmio Literário Canon de Poesia 2012, selo editorial Fábrica de Livros/Scortecci, reunindo por ordem alfabética, 50 (cinquenta) POESIAS e seus AUTORES (minibiografia), conforme seleção e escolha irrevogável da Comissão Julgadora.

Características da obra: 1500 (mil e quinhentos) exemplares, formato 14 x 20,7 cm, com aproximadamente 100 páginas, ISBN e Ficha Catalográfica.

A obra NÃO será comercializada e sua venda proibida.

Os 50 (cinquenta) participantes escolhidos com as melhores POESIAS receberão como prêmio e a título de Direito Autoral, 10 (dez) exemplares da obra, além da divulgação e promoção da poesia pela Canon do Brasil pelo período de um ano em ações de Marketing e Propaganda.

Os livros de direito dos Autores Vencedores serão entregues no dia do lançamento da Antologia. Os que não puderem comparecer ao evento receberão seus livros pelo correio pela Canon do Brasil.

CRONOGRAMA:

- Inscrições: até 30 de novembro de 2012.
- Período de seleção: dezembro 2012 e janeiro 2013.
- Resultado: Fevereiro de 2013.
- Edição e Impressão da obra: março de 2013.
- Lançamento: Abril de 2013.

MAIS INFORMAÇÕES:

Inscrições somente pela internet através do link.

E-mail: premiocanon2012@concursosliterarios.com.br

Telefone: (11) 3032.1179.

Anos 70: a poesia era marginal


O modo rústico e artesanal foi uma característica marcante no surgimento da poesia marginal. Para se expressar livremente em épocas de ditadura os poetas buscaram caminhos alternativos para distribuir poesia e revelar novas expressões poéticas.

Surgido nos anos 70, a poesia marginal foi um movimento cultural onde os poetas Ana Cristina César, Paulo Leminski, Ricardo Carvalho Duarte (Chacal), Francisco Alvim e Cacaso se destacaram nesta época. As poesias ganhavam corpo e eram distribuídas de forma inusitada, diferentes dos padrões convencionais de publicações, eram livretos artesanais mimeografados e grampeados, ou apenas dobrados.

OS POETAS MARGINAIS

A poetisa Ana Cristina César escrevia seus poemas e redigia para jornais, ela teve um fim trágico, suicidou-se aos 31 anos, em 1981. O poeta Antônio Carlos Ferreira de Brito (Cacaso) nasceu em Uberaba (MG), no dia 13 de março de 1944. Antes dos 20 anos desperta para poesia, através de letras de sambas que colocava em músicas de amigos como Elton Medeiros e Maurício Tapajós. Seu primeiro livro, "A palavra cerzida", foi lançado em 1967. Em 27 de dezembro de 1987, Cacaso morre vítima de parada cardíaca, aos 43 anos. Paulo Leminski Filho nasceu em Curitiba, em 24 de agosto de 1944, foi um escritor, poeta, crítico literário, tradutor e professor brasileiro, faleceu em 1989.

A poesia marginal foi um movimento desprovido de características padronizadas, era uma libertação dos termos e expressão livre constratando com uma época conturbada, a repressão política nos fins da década de 60. A poesia ganhou as ruas, praças e bares como alternativa de divulgação, longe do foco da censura. Nada escapava, tudo era considerado como suporte para expressar a arte de poetizar, fosse em folheto, camiseta, xerox, apresentações em calçadas.

(Reprodução/Internet)
ANA CRISTINA CÉSAR


Acreditei que se amasse de novo
esqueceria outros
pelo menos três ou quatro rostos que amei
Num delírio de arquivística
organizei a memória em alfabetos
como quem conta carneiros e amansa
no entanto flanco aberto não esqueço
e amo em ti os outros rostos
(em Contagem regressiva - Inéditos e Dispersos)



ANTONIO CARLOS FERREIRA DE BRITO


Descartes

Não há
no mundo nada
mais bem
distribuído do que a
razão: até quem não tem tem
um pouquinho

Fatalidade

A mulher madura viceja
nos seios de treze anos de certa menina morena.
Amantes fidelíssimos se matarão em duelo
crepúsculos desfilarão em posição de sentido
o sol será destronado e durante séculos violas plangentes
farão assembléias de emergência.

Tudo isso já vejo nuns seios arrebitados
de primeira comunhão.

PAULO LEMINSKI FILHO


I

Confira
tudo que
respira
conspira

II

Tudo é vago e muito vário
meu destino não tem siso,
o que eu quero não tem preço
ter um preço é necessário,
e nada disso é preciso

III

Cinco bares,
dez conhaques
atravesso são paulo
dormindo dentro de um táxi

IV

isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além

V

O pauloleminski
é um cachorro louco
que deve ser morto
a pau a pedra
a fogo a pique
senão é bem capaz
o filhodaputa
de fazer chover
em nosso piquenique





26 de outubro é o prazo final para inscrições do Prêmio de Poesia Damário Dacruz

Créditos: Divulgação
(Reprodução/Internet)
Se você tem poesias guardadas na gaveta e está interessado em se candidatar ao Prêmio com obras inéditas, a hora é essa. Escolha suas melhores poesias para abocanhar o prêmio de R$ 3 mil do primeiro lugar.

As inscrições estão abertas até o dia 26 de outubro, e poderão ser feitas na sede da Fundação Pedro Calmon ou no Ponto de Leitura Pouso da Palavra, durante a Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica) que começa hoje (17/10).

COMO FAZER - Para participar o candidato deve apresentar o poema em três vias iguais, dentro de envelope lacrado, e acompanhado de ficha de inscrição preenchida, currículo, comprovante de residência. É preciso também anexar uma declaração de autoria e ineditismo. Coautoria não é permitida no regulamento da premiação.

PREMIAÇÃO - Serão escolhidos apenas três melhores poemas. O primeiro lugar ganhará R$ 3 mil, o segundo R$ 2 mil, e o terceiro R$ 1 mil. Os poemas selecionados, cerca de 37 inscritos, vão ser publicados em um livro, ainda sem título no momento.

Faleceu em 6 de outubro um dos ícones da poesia peruana: Antonio Cisneros


Uma notícia que me deixou triste e só agora tomo conhecimento, foi a grande perda para o mundo poético da figura tão querida do peruano Antonio Cisneiros. Ele faleceu aos 69 anos, em um sábado (06 de outubro) vitimado por um câncer pulmonar que vinha lhe torturando já um bom tempo.

Antonio Cisneiros, além de poeta, foi jornalista, roteirista e professor. Ele foi uma figura importantíssima da "geração do 60" da literatura peruana e chegou a ser condecorado com o Prêmio Ibero-Americano de Poesia Pablo Neruda 2010, a mais alta distinção concedida pelo governo chileno a um poeta da região.



POEMA PARA HACER EL AMOR

Antonio Cisneiros

Para hacer el amor debe evitarse un sol muy fuerte
sobre los ojos de la muchacha, tampoco es buena la sombra
si el lomo del amante se achicharra

para hacer el amor.
Los pastos húmedos son mejores que los pastos amarillos
pero la arena gruesa es mejor todavía.
Ni junto a las colinas porque el suelo es rocoso
ni cerca de las aguas.

Poco reino es la cama para este buen amor.
Limpios los cuerpos han de ser como una gran pradera:
que ningún valle o monte quede oculto y los amantes
podrán holgarse en todos sus caminos.

La oscuridad no guarda el buen amor.
El cielo debe ser azul y amable,
limpio y redondo como un techo
y entonces la muchacha no verá el dedo de Dios.

Los cuerpos discretos pero nunca en reposo,
los pulmones abiertos,las frases cortas.
Es difícil hacer el amor pero se aprende.

(De Agua que no has de beber).

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Repulsa



Ontem te vi na rua
meio dia, sol a pino.
evitei aproximar-me
com medo de pisar 
na tua sombra
e me envolver novamente.

Jacytan Melo, novembro/2009

(In)decisão



Dois reais na carteira
duas decisões a tomar:
jogar na milhar
ou bebericar uma 
cerveja gelada,
estupidamente gelada.
Optei pela segunda, 
adiei o sonho
de ficar rico
jogando na
Loteria Zoológica.

Jacytan Melo, novembro/2009

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Rio Capibaribe


Rio Capibaribe

Hoje vi o rio,
não o de Janeiro,
o de todos os meses do ano:
o Rio Capibaribe.

Todo dia vejo o rio,
até onde a vista alcança
do Cais José Mariano, Aurora,
até a ponte de Limoeiro.

Hoje, porém, foi diferente,
diferente de todos os dias,
das maneiras de olhar  rio.

As águas, em sua maré cheia,
parecia menos poluídas
(acho que foi ilusão).

As marolas estavam mais intensas
acho que foi a presença
do Catamarã que há pouco passou.

O verde do manguezal
está mais intenso
(como obra de arte 
de um paisagista).

Talvez seja isso,
é... talvez seja isso
achar o rio, hoje,
mais bonito.

Jacytan Melo, Recife, 16/02/2009

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Senhoritas da Rua da Guia


1968,
domingo,
meio dia.
Rua da Guia
que agonia.

"Senhoritas" de vida fácil
desfilando,
exibindo
em demasia,
toda primazia
dos seus dotes
mundanos,
profanos
e profundos.

Jacytan Melo, setembro, 2005

Nas Esquinas


Passa carros
passa gente
passa disco
passa trote
passatempo
passarinho
passa bicho
passa a grana
passarela
passamento
passa a vida

Jacytan Melo, Recife, outubro/2009

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Histórias de Trabalho



HISTÓRIAS DE TRABALHO:

Tendo como temática central o trabalho, escritores, poetas, fotógrafos e artistas ligados às histórias em quadrinhos ou cartuns poderão optar por seis categorias. O concurso é gratuito e contempla trabalhos de fotógrafos, artistas, escritores e trabalhadores de todo o país.

Inscrições: entre 2 de abril e 11 de maio de 2012.
Edital e inscrições: http://www2.portoalegre.rs.gov.br/smc/default.php?p_secao=58
Informações: http://coordenacaodolivro.blogspot.com.br/

Poemas no ônibus e no trem



POEMAS NO ÔNIBUS E NO TREM

Cada participante poderá inscrever um poema inédito, com até 14 versos. As inscrições são gratuitas e os poemas selecionados farão parte de uma publicação e serão exibidos nas janelas dos ônibus e trens de Porto Alegre (RS).

Inscrições: entre 2 de abril e 18 de maio de 2012.
Edital e inscrições: http://www2.portoalegre.rs.gov.br/smc/default.php?p_secao=53
Informações: http://coordenacaodolivro.blogspot.com.br/

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Jacytan Melo Produções_Agenciados_2012


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JACYTAN MELO PRODUÇÕES
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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Maltrato do Recife

Foto: Zé Afonso Stock

Estão querendo acabar contigo
[meu Recife
Não te respeitam como antes
(apesar de idade avançada)
te vejo suja, mal cheirosa,
em todo canto que passo
te vejo nua,
com uma avenida disforme
rasgando teu ventre.

Prédios sujos, mal acabados,
abandonados, assombroso,
assombrados,
completam o auto-retrato
de tua feiúra.

Mudaste muito,
não é mais aquela cidade 
chamada bela Recife
cantada em versos e prosas,
até os cinemas não existem mais.

Andas inchada,
abarrotada de tantos carros
poluída, esquecida, mal vestida.

Tenho pena de ti
[meu Recife
tenho pena de ti.

Jacytan Melo
Recife, 8/dezembro/2009

Imagem


Minha imagem,
presa nos labirintos
da existência humana,
luta para seguir rumo natural,
buscando uma saída.

Tempo passa depressa
sem dar tempo
de recompor fragmentos.

Hoje, só sombras passeiam
pelos corredores do imaginário.


Jacytan Melo
Recife, Novembro/2009

domingo, 20 de novembro de 2011

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Hilda Tempo> Hilst - Morte

 

Eu
Corroendo
Como Escadas Grandes
Da Minha Alma.
Água. Chamas Como te?
Tempo.

Antes Vivida
Revestida de laca
Minha alma tosca
Se desfazendo.
Chamas Como te?
Tempo.

corroendo Águas
Caras, coração
Todas de Cordas do Sentimento
Chamas Como te?
Tempo.

Irreconhecível
Me procuro lenta
Nos escuros TEUs
Chamas Como te, breu?
Tempo.

Hilst, Hilda. Da morte. Odes Mínimas. São Paulo: Globo, 2003. p.71.
_______
Imagem: idiota
 
, para preen plumagem, desenho, agosto/2008.

Fonte: Imaginário Poético

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Morre Roberto Piva


Um maiores nomes da poesia marginal brasileira, o poeta Roberto Piva morreu em São Paulo, no sábado, aos 72 anos. O escritor sofria de Mal de Parkinson e estava internado desde o dia 13 de maio no Instituto do Coração por conta de uma insuficiência renal, que evoluiu para uma falência múltipla de órgãos.

Nascido em São Paulo no dia 25 de setembro de 1937, Roberto Piva foi um poeta ligado aos marginais dos anos 60, tendo sido influenciado pelos autores da geração beat americana. Ele foi revelado na coletâneas "Antologia dos Novíssimos", de Massao Ohno, publicado em 1961, e "26 poetas hoje", de Heloisa Buarque de Holanda.

Piva foi professor na rede de ensino público, produtor de shows de rock e é um dos três únicos poetas brasileiros a ser citado no Dicionário Geral do Surrealismo publicado na França.

Em 2005, toda sua obra foi republicada pela editora Globo em três volumes - "Um estrangeiro na legião", "Mala na mão e asas pretas" e "Estranhos sinais de saturno". Seu primeiro livro, "Paranóia", publicado originalmente 1963, foi reeditado em 2009 pelo Instituto Moreira Salles.

Veja trecho de programa com Roberto Piva, exibido na TV Cultura



Leia o poema "Praça da República dos meus sonhos", de Roberto Piva

POEMA DA NOITE

Praça da República dos meus sonhos - Roberto Piva

A estátua de Álvares de Azevedo é devorada com paciência pela paisagem
de morfina
a praça leva pontes aplicadas no centro de seu corpo e crianças brincando
na tarde de esterco
Praça da República dos meus sonhos
onde tudo se faz febre e pombas crucificadas
onde beatificados vêm agitar as massas
onde Garcia Lorca espera seu dentista
onde conquistamos a imensa desolação dos dias mais doces
os meninos tiveram seus testículos espetados pela multidão
lábios coagulam sem estardalhaço
os mictórios tomam um lugar na luz
e os coqueiros se fixam onde o vento desarruma os cabelos
Delirium Tremens diante do Paraíso bundas glabras sexos de papel
anjos deitados nos canteiros cobertos de cal água fumegante nas
privadas cérebros sulcados de acenos
os veterinários passam lentos lendo Dom Casmurro
há jovens pederastas embebidos em lilás
e putas com a noite passeando em torno de suas unhas
há uma gota de chuva na cabeleira abandonada
enquanto o sangue faz naufragar as corolas
Oh minhas visões lembranças de Rimbaud praça da República dos meus
Sonhos última sabedoria debruçada numa porta santa

Roberto Piva nasceu em São Paulo no dia 25 de setembro de 1937. Poeta ligado aos marginais dos anos 60, esteve na Antologia dos Novíssimos de Massao Ohno em 1961 e em 26 poetas hoje de Heloisa Buarque de Holanda. Foi professor na rede de ensino público, produtor de shows de rock e é um dos três únicos poetas brasileiros a ser citado no Dicionário Geral do Surrealismo publicado na França.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010


ESPELHO

Evito o espelho
toda vez que me vejo
diante dele
demoro pouco,
evito vê-lo.
Tenho medo de que!?
não sei!!!
apenas, evito vê-los.

Jacytan Melo

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Poema de Di Cavalcanti > Ali ela morava



Fonte: Imaginário Poético - revistaimaginariopoetico@gmail.com
 
Apresento a vocês uma verdadeira raridade que garimpei em um sebo: um poema de Di Cavalcanti publicado na Antologia de Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos, organizada e apresentada por Manuel Bandeira em 1946. Mas deixo que o próprio Bandeira apresente o pintor como poeta:

"O seu verdadeiro nome é Emiliano Cavalcanti, mas sempre se assinou Di Cavalcanti, e às vezes Emiliano Di Cavalcanti. (...) Teve atuação saliente no movimento modernista; foi mesmo dêle que partiu a idéia da 'Semana de Arte Moderna', realizada em São Paulo em fevereiro de 1922. (...) Se Di Cavalcanti não fôsse por vocação pintor, poderia ser escritor, pois tanto no verso como na prosa revela o dom da expressão aguda e original. Afora poemas avulsos, escreveu um livro de poesia, até o presente inédito, intitulado 'O Testamento da Alvorada'."

O Testamento poético de Di foi publicado em 1955 e atualmente só pode ser encontrado em alguns sebos pela bagatela de uma centena de notas e uma mão de moedas. Enquanto isso as grandes editoras brasileiras publicam ora autores nacionais que se ocupam com uma literatura de massa, ora traduções baratas de best sellers de autores estrangeiros cuja qualidade literária não vale as árvores que fizeram tombar para que suas páginas fossem impressas. Nesta perspectiva temos o placar de 3x0 para a publicação na web: 1 ponto porque não derruba árvores; mais 1 porque não se move ao sabor do mercado editorial, ao menos não necessariamente, e ainda outro por, democraticamente, disponibilizar textos importantes e até mesmo indispensáveis à cultura de uma nação, mas às vezes materialmente indisponíveis ao grande público.

Sendo assim, aproveitem um pouco do poeta Di Cavalcanti, pois é bom, gratuito e ecologicamente correto!
Abraço a todos,
dana paulinelli

 

[O Beijo, Di Cavalcanti, 1923]

A virgem morena
Pedia pecado.

Na noite do mêdo,
No lago das cobras,
Os olhos de fôgo
Da virgem morena
Queriam desgraças,
Queriam paixão...
O vento açoitava;
As flores dolentes
De espasmo murchavam


A virgem morena
Pedia pecado.

As pernas molhadas
De água cheirosa
Abriam-se em galho
No negro do céu.
Os seios da virgem,
O' seios da virgem!
Dois lírios de ouro.

A virgem morena
Pedia pecado.

A virgem morena
É a deusa do mal?

Assim contaram-me no barranco
do Rio Grande...

É aquela que mata
Os homens fogosos
Que tentam beijá-la?
É a morta viva dos infernos?
Não tem coração nem alma
Aquela que só deseja o dia
E vive na treva?
É ela a rainha de mil desejos flagelada?

A virgem morena
Pedia pecado.

Caiam dos ramos
Os frutos de sangue
Corujas e bruxas
Dançavam no ar,
As pombas noturnas
Morriam de amor.

A virgem morena
Pedia pecado.

Porque essa angústia
Na incompreendida virgem?
Êste céu negro
E o visgo verde das folhas venenosas?
Porque tanta coisa maldita
Cercando o corpo da virgem?

A virgem morena
Pedia pecado.

A morte beijou a virgem;

Gritavam caiporas
Uivavam as antas,
As onças hurlavam,
As cobras mordiam
As ancas das éguas.
O' gritos de corvos!
O' risos de loucos!

A morte beijou a virgem;

Nunca ninguém soube seu nome,
Seu corpo virou terra,
A erva daninha,
Nasceu pela terra
Com espinhos ferindo os pés dos homens.

A virgem morena
Pedia pecado.


DI CAVALCANTI, Emiliano. In: BANDEIRA, Manuel. Antologia de Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos. 1a edição. Rio de Janeiro: Livraria Editora Zelio Valverde, 1946. p.51,53.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Récita da Liberdade - A poesia de Frei Caneca

Récita da Liberdade


Um dos mais importantes personagens da história pernambucana será homenageado próximo dia 13, no Museu da Cidade do Recife. O religioso, jornalista e revolucionário Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo – mais conhecido como Frei Caneca – será lembrado em solenidade na sede do próprio museu, no Forte das Cinco Pontas.

Frei Caneca, um dos mentores intelectuais da Revolução de 1817, foi executado em Recife em 1825. Suas críticas ao governo português ficaram famosas no jornal que editava, o Typhis Pernambucano. Na homenagem programada no Museu da Cidade do Recife consta um recital de poesia reunindo o elenco do grupo Vozes Femininas: Cida Pedrosa, Mariane Bigio, Silvana Menezes e Suzana Morais e do quartetro de musisitas Flores de Maio.

A programação começa as 17h, com entrada franca.




Trecho de um poema de Frei Caneca

O peito d’antes sereno
Centro de amor e ternura,
Agora é morada escura
De males mil, com que peno.
Vós p’ra quem um fado ameno
Aponta com áureo dedo,
Fugi de mim porque cedo
Mudar-se vereis a sorte;
Pois o meu mal é tão forte,
Que até de mim tenho medo.



Confira outros textos do poeta
 
 

o maior acervo da poesia pernambucana na internet

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Uma viagem entre becos e vielas, escombros e ruínas, pontes e palafitas que trafegam nos versos do poeta Malungo. Vídeo participante da 4ª edição da Mostra "TV no Parque" - agosto/2009