Mudando a história da produção literária recifense
A paisagem do Recife sempre serviu de palco de inspiração para os artistas. Isso acontece há mais de quatro séculos. Muitos dos escritores se deixaram contagiar pelo cenário exuberante da cidade do Recife. Essa safra de escritores surgiu na década de 60, renovando a tradição literária recifense.
Em meio ao ambiente hostil e opressivo da ditadura de um regime militar, que se instalou no Brasil em 1964, surgiram versos líricos e políticos de poetas que expressavam suas mágoas, sentados nas mesas dos bares da cidade, entre um traço e outro de estrofes de um verso, bebiam goles de chopp.
Esses poetas, unidos pela literatura, deram origem à chamada "Geração 65", e ao movimento das Edições Pirata, que chegou a publicar na época mais de trezentos livros.
GERAÇÃO 65
Grupo formado em Jaboatão, PE, 1964. Seus membros Alberto da C. Merlo, Domingos Alexandre, José L. A. de Melo e Jaci Bezerra se reuniam em função da produção poética que cada um desenvolvia. Denominou-se inicialmente"Grupo de Jaboatão" , passando a ser conhecido, por sugestão do historiador Tadeu Rocha, no Recife, como Geração 65. Fundaram o Movimento Pirata e as edições do mesmo nome, mantgendo a marca Geração 65.
Fonte: Enciclopédia de Literatura Brasileira, de Afrânio Coutinho e J. Galente Souza, Global, 2001.
____________________________________________________________
OS MENDIGOS
Os mendigos adormecem
na calada da noite
alimentados pelos restos
da sociedade de consumo,
aspiram cheiros de esgotos, cola e escrementos.
Estão em todas as esquinas
desprovidos de pudores
com a alma desnuda de
desejos e sentimentos.
Já não sonham mais
os mendigos desfalecem
na calada da noite.
Jacytan Melo, poeta, músico e produtor
DO EXERCÍCIO DE ESCREVER
Dedos presos no teclado
cabeça ainda vazia
coração cheio de amores
não correspondidos.
Aos poucos os dedos deslizam
num movimento autômato,
ensaiando algumas palavras,
algumas linhas de um poema.
Já é madrugada, poucas palavras
são escritas, porém,
carregadas de emoção.
Chego a temer,
o esforço dos dedos no teclado
possa perturbar
o silêncio da noite.
O dia amanhece,
mal percebo o amanhecer,
devido a longa batalha noturna:
o exercício de escrever poema.
Jacytan Melo, poeta, músico e produtor.
A paisagem do Recife sempre serviu de palco de inspiração para os artistas. Isso acontece há mais de quatro séculos. Muitos dos escritores se deixaram contagiar pelo cenário exuberante da cidade do Recife. Essa safra de escritores surgiu na década de 60, renovando a tradição literária recifense.
Em meio ao ambiente hostil e opressivo da ditadura de um regime militar, que se instalou no Brasil em 1964, surgiram versos líricos e políticos de poetas que expressavam suas mágoas, sentados nas mesas dos bares da cidade, entre um traço e outro de estrofes de um verso, bebiam goles de chopp.
Esses poetas, unidos pela literatura, deram origem à chamada "Geração 65", e ao movimento das Edições Pirata, que chegou a publicar na época mais de trezentos livros.
GERAÇÃO 65
Grupo formado em Jaboatão, PE, 1964. Seus membros Alberto da C. Merlo, Domingos Alexandre, José L. A. de Melo e Jaci Bezerra se reuniam em função da produção poética que cada um desenvolvia. Denominou-se inicialmente"Grupo de Jaboatão" , passando a ser conhecido, por sugestão do historiador Tadeu Rocha, no Recife, como Geração 65. Fundaram o Movimento Pirata e as edições do mesmo nome, mantgendo a marca Geração 65.
Fonte: Enciclopédia de Literatura Brasileira, de Afrânio Coutinho e J. Galente Souza, Global, 2001.
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OS MENDIGOS
Os mendigos adormecem
na calada da noite
alimentados pelos restos
da sociedade de consumo,
aspiram cheiros de esgotos, cola e escrementos.
Estão em todas as esquinas
desprovidos de pudores
com a alma desnuda de
desejos e sentimentos.
Já não sonham mais
os mendigos desfalecem
na calada da noite.
Jacytan Melo, poeta, músico e produtor
DO EXERCÍCIO DE ESCREVER
Dedos presos no teclado
cabeça ainda vazia
coração cheio de amores
não correspondidos.
Aos poucos os dedos deslizam
num movimento autômato,
ensaiando algumas palavras,
algumas linhas de um poema.
Já é madrugada, poucas palavras
são escritas, porém,
carregadas de emoção.
Chego a temer,
o esforço dos dedos no teclado
possa perturbar
o silêncio da noite.
O dia amanhece,
mal percebo o amanhecer,
devido a longa batalha noturna:
o exercício de escrever poema.
Jacytan Melo, poeta, músico e produtor.