Quer algo mais marginal do que fazer mil exemplares de uma obra de 34 páginas usando apenas um mimeógrafo?
Por Vinícius Menna
Ricardo de Carvalho Duarte, o Chacal, é considerado um dos grandes nomes da geração mimeógrafo. Começou a gostar de poesia lendo Oswald de Andrade. Em 1971, aos 20 anos, publicou o primeiro livro, o "Muito prazer, Ricardo" – cem exemplares mimeografados. No ano seguinte, publicou "Preço da Passagem" – 34 folhas mimeografadas, dentro de um envelope, com uma tiragem de mil exemplares.
Atualmente, ele é curador e produtor cultural. Coordena o projeto CEP 20.000 – Centro de Experimentação Poética – um evento mensal, multimídia, criado por ele em 1990, com o apoio da Rioarte.
"Vou falar sobre poesia falada e cantada, dentro da experiência de mais de 30 anos que eu tenho com isso. Desde 1975, falamos em forma de poesia no lançamento dos nossos livros, o que se tornava um incentivo para que as pessoas comprassem a obra. Era uma grande festa ligada à poesia. E aí, começamos a tomar gosto pela coisa. Era poesia com jeito de rock and roll", contou o poeta Chacal.
Em 1975, Chacal participou de um grupo de poetas chamado Nuvem Cigana, que era uma mistura de música com poesia. Era uma poesia pop e urbana que, segundo ele, fez com que a poesia recuperasse a fala.
"A idéia era tirá-la [a poesia] dos livros. Não só vendíamos livros, mas trazíamos o corpo para fazer poesia, com a fala, com os gestos. Deixar a poesia dentro dos livros faz com que só a elite possa apreciá-la. Acho que isso tudo que fizemos mudou a cara da poesia", comentou o poeta.
No início dos anos 1980, a Nuvem Cigana acabou e o rock de bandas como Blitz, Lobão e Barão Vermelho apareceram. "Começamos a fazer letras para essa turma. A poesia marginal tomou conta da música. Além de ganharmos dinheiro com isso, amplificamos nossas idéias aos jovens da época", afirmou Chacal.
Para ele, a poesia marginal teve destaque justamente porque levantou algo que os poetas no geral vetam. "A Heloisa Buarque de Holanda, disse na mesa que a poesia marginal era aquela que era feita de forma alternativa, através do mimeógrafo e da xerox", disse Chacal.
"Mas, o mais importante mesmo foi trazermos o corpo e a fala à poesia, o que é vetado principalmente na poesia. Esta é a grande marca, a atitude de ir às ruas, o rock and roll, o beat, a contracultura, essa coisa toda", arrematou.
Vídeo produzido por Malungo e Leonardo Chaves, mostra lances da poesia alternativa pernambucana, registros de fotos, livros e cartazes com textos de Francisco Espinhara e Bráulio Brilhante, além de poemas do livro de Malungo,"O terceiro olho usa lente de contato" numa estética de video clip.
Fragmentos de poemas de um Livro leve que virá com "Águas e anoitecimentos" de Edmir Carvalho Bezerra
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